No mercado de trabalho moderno, a questão da autoridade e do autoritarismo tem preocupado a alta administração das organizações. Nunca houve tanto conflito entre chefes e subordinados no ambiente de trabalho, e nunca houve também tanta discórdia e divisões entre colegas de empresa. Será que o fruto de todos esses conflitos não está na falta de líderes que exerçam autoridade em vez de autoritarismo?
Desde a mais tenra infância, somos confrontados com um mundo no qual devemos seguir regras. Isso nos é transmitido de diversas maneiras. No início, apenas pelos pais e parentes, depois pelos amigos e colegas. Em nossa sociedade há uma infinidade de regulamentos que precisam ser cumpridos para que as coisas funcionem de maneira organizada e produtiva. Entender o porquê dos regulamentos talvez torne mais fácil cumpri-los, mas nem sempre encontramos pessoas dispostas a nos explicarem as razões de determinadas regras. Certas regras, também, são fruto da conveniência de alguns grupos ou pessoas, que visam facilitar unicamente suas próprias vidas.
A autoridade é uma prerrogativa daqueles que estão em posições de comando. No lar, no trabalho, nas organizações civis e militares; tudo gira em torno de comandantes e comandados. Os comandados podem aceitar as ordens de seus superiores de várias maneiras. Podem aceitar pelo medo, pela necessidade, pelo comodismo ou pelo exemplo. Quando aceitam pelo medo, surge um relacionamento de intimidação; no qual o comandado teme represálias pelo não-cumprimento, por exemplo, uma demissão ou uma prisão.
Quando aceitam pela necessidade, fica caracterizada uma dependência, principalmente econômica, muito comum no mundo moderno. Quando aceitam pelo comodismo, aparece a figura do indivíduo que não está disposto a sair de sua zona de “conforto”, pelo temor do que pode existir para além dela. Finalmente, quando aceitam pelo exemplo, vislumbra-se a relação perfeita de subordinação, na qual o comandado confia e admira o comandante, já que esse último exibe comportamentos condizentes com seu posto, como honestidade, honradez, tolerância, discernimento e bom senso.
O autoritarismo é o abuso da prerrogativa da autoridade. É o impor-se rispidamente, sem exibir as razões dos comandos ou das ordens. É considerar-se o dono da razão e possuidor de toda a sabedoria que possa existir. Nenhuma determinação é discutida com os comandados antes de ser exigida. Qualquer tentativa de argumentação ou disposição em contrário é rejeitada. O dirigente com esse tipo de comportamento geralmente é temido ou odiado pelos subordinados.
Ora, então um bom chefe é aquele que é necessariamente “bonzinho” e discute toda e qualquer ação necessária ao andamento das atividades da empresa ou de um de seus setores? A resposta é não. O bom chefe tem a capacidade de avaliar o que pode ser discutido ou debatido. Certas determinações realmente tem que ser aceitas pelos comandados da maneira como estão, de outro modo, o bom andamento na empresa seria prejudicado. O segredo talvez esteja em saber demonstrar a importância de tudo aquilo que é necessário fazer dentro da empresa. A máxima “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” deve estar afastada do código de conduta de um dirigente responsável. A postura e o bom exemplo conquistam mais comandados do que simplesmente “ordens vazias”, que muitas vezes nem o próprio chefe consegue cumprir ou fazer que sejam cumpridas.
Então, quais as qualidades necessárias a um dirigente para se evitar uma postura autoritária?
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Segurança e auto-confiança: um chefe seguro e auto-confiante transmite essas qualidades aos comandados. Posturas firmes e ações incisivas, nos momentos adequados, motivam os subordinados a acatarem as determinações.
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Bom exemplo: é sempre útil lembrar que o exemplo é o melhor modelo de conduta, não só no ambiente corporativo, mas na vida. As pessoas se sentem muito mais dispostas a assumirem determinados comportamentos quando os observam em outras pessoas. Um dirigente que adota bons comportamentos acaba sendo um espelho para seus comandados.
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Incentivar a participação: em tudo aquilo que pode ser discutido, o dirigente deve incentivar o engajamento dos subordinados. A sensação de “fazer parte” das decisões que podem ser debatidas torna mais fácil cumprir aquilo que deve ser obedecido da maneira que está.
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Trabalho em equipe: identificar talentos na equipe e delegar funções também ajuda a manter a autoridade. Investigue os membros da equipe e identifique aqueles que são de sua confiança e delegue tarefas para as quais você sinta que eles estão preparados. A divisão bem conduzida de poder torna mais fácil para as pessoas a idéia da autoridade.
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Premiações e elogios sinceros: premiar e elogiar a equipe quando tarefas exigidas são executadas de maneira satisfatória é uma excelente maneira que dizer que vale à pena obedecer. Se os comandados entendem que algo positivo pode surgir do bom cumprimento de uma ordem, obedecê-la acabará se tornando muito mais fácil.
A construção de um ambiente no qual a autoridade é respeitada é um processo gradual. Somente a repetição de posturas acertadas por um espaço de tempo adequado poderá estabelecer a relação de confiança que precisa existir entre dirigentes e subordinados para que se configure uma estrutura de comando e hierarquia adequados.
Autor: Marco Antônio de Freitas - Curitiba/PR.